Identificação através da coleta digital de imagens em portos
e aeroportos dos EUA (sistemas de informação papiloscópica automatizada)
Matérias veiculadas pela mídia norte-americana nesta semana de 12 de
Janeiro de 2004 dão conta que novos processadores digitais de coleta de
imagem papiloscópica, construídos pela "Cross Match
Technologies" (empresa sediada na Flórida), estarão colhendo
eletronicamente as impressões dos milhões de visitantes estrangeiros que
chegam aos EUA a cada ano. A empresa produziu mais de dois mil desses novos
equipamentos, rapidamente instalados, semana passada, pelo Departamento de
Segurança Interna dos EUA, em 14 portos e 115 aeroportos do país.
As imagens capturadas nos portos e aeroportos são cotejadas com as de uma
base de dados contendo informações sobre terroristas e outros criminosos
procurados. De acordo com "experts" norte-americanos, a nova
iniciativa, a maior do gênero, irá tornar a biometria digital um
procedimento comum, estabelecendo um precedente mundial para sua utilização
prática generalizada. Um volume estimado de 24 milhões de viajantes
estrangeiros que chegam aos EUA a cada ano passará a ser identificado
segundo o novo procedimento.
A leitora custa aproximadamente 400 dólares, sendo capaz, em menos de um
minuto, de gravar e comparar as imagens colhidas. A "Cross Match"
juntou-se a outras empresas no desenvolvimento de tecnologias de captura
eletrônica de impressões, ao mesmo tempo em que o FBI mudava seu sistema
de imagens em papel para arquivos digitais. O novo processo encurta
significativamente o tempo de checagem de antecedentes e verificação de
suspeitos, com o que costumava levar uma semana passando a um dia ou menos.
Os primeiros modelos do equipamento eram do tamanho de um refrigerador,
enquanto os mais sofisticados, hoje produzidos, pesam apenas cerca de onze
quilos, podendo capturar a cada vez as impressões de dez dedos em lugar de
apenas dois como inicialmente. O equipamento já está sendo usado por
militares norte-americanos no Iraque e Afeganistão para checagem de
prisioneiros e suspeitos de terrorismo.
A ameaça do terrorismo está servindo como estímulo não apenas para a
"Cross Match", mas para todo um setor industrial norte-americano
voltado para a biometria. A pesquisa e desenvolvimento em biometria digital,
antes consideradas parte de uma "indústria monstruosa", evocando
mitos como o do “big brother” de George Orwell, deixou de ser vista como
tal a partir do sentimento de urgência desencadeado pela ameaça terrorista
global. A captura eletrônica de impressões papiloscópicas vem ganhando
crescente aceitação e demanda nos meios militares, policiais e até mesmo
pela indústria bancária. Alguns estados norte-americanos já estão
utilizando o sistema até mesmo para identificação de condutores de veículos.
Ainda assim, acredita-se, é nos sistemas em funcionamento nos portos e
aeroportos que a nova tecnologia ganhará visibilidade máxima.
A situação atual aponta uma tendência de utilização generalizada da
biometria digital, no que os técnicos acreditam seja apenas o começo de um
longo processo. Equipamentos inspirados pela "guerra ao
terrorismo" trazem inovações na área de identificação humana que
alcançam outros setores, a exemplo, as instituições financeiras.
Uma outra empresa norte-americana, a Identix, já está trabalhando no
desenvolvimento de tecnologias baseadas na verificação digital de
identidade através das já tradicionais imagens fotográficas. A despeito
das questões de privacidade suscitadas, "experts"
norte-americanos da área do turismo acreditam que aqueles que visitam os
EUA não acharão o processo intrusivo demais, isso se perceberem que as
autoridades locais, em verdade, estão apenas buscando promover mais segurança
para todos. A facilidade de uso e a rapidez da operação de identificação
são tidos como fatores críticos para aceitação dessas novas tecnologias.
Dr. George Felipe de Lima Dantas