Entrevista
INFORMÁTICA
Perito alerta sobre golpes na
internet
[ 17/09 ]
Poliana Machado Pereira
Com a
popularização da Internet e o uso cada vez mais freqüente em
transações financeiras e comércio eletrônico, o ingresso ao
mundo do crime, por fraudadores, estelionatários, pedófilos,
falsificadores e tantos outros, vem sendo percebido na rede. Um
site clonado ou um simples vírus podem causar desde uma pane no
computador até um rombo em sua conta bancária.
O perito criminal e professor de Processamento de Dados da
Academia de Polícia de Sorocaba, Claudemir Santos, trabalhou
dois anos no Núcleo de Informática do Departamento de Polícia
Científica, em São Paulo, e atualmente faz especialização em
Tecnologia TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet
Protocol). Para ele, não é uma tarefa simples atacar e fraudar
dados no servidor de uma instituição comercial ou bancária.
Mas não é impossível porque os atacantes têm concentrado
seus esforços em fragilidades como bugs de sistemas
operacionais, browsers, clientes de e-mail e
principalmente a ingenuidade tecnológica de alguns usuários.
"As empresas precisam, se já não o fazem, tratar a
segurança no campo da gestão de riscos. Isto dá para a
segurança um aspecto mais amplo dentro dos processos de uma
empresa. Muita coisa precisa ser repensada, muitos dos problemas
de segurança que vemos hoje são previsíveis, mas para atacar
a vulnerabilidade, já se nota que não basta simplesmente
agregar este ou aquele processo, o IPV6 promete soluções para
uma boa parte de nossos problemas".
Claudemir aconselha aos usuários a trabalhar de forma ampla.
Muitos pensam que basta ter um antivírus instalado ou um firewall
para os problemas acabarem. Segundo o especialista, bugs
de sistemas operacionais, inconsistências em aplicativos críticos
de acesso às redes (browsers e clientes de e-mail),
vulnerabilidades em protocolos de redes e principalmente ações
"ingênuas" de usuários têm mostrado que os vírus são
um dos problemas, mas não o único.
Em junho desse ano, por exemplo, o vírus Bugbear.B causou
transtornos para os internautas. O vírus veio preparado para
ler o teclado e deixar seu equipamento pronto para ser utilizado
por um hacker. Para Claudemir, inicialmente, os antivírus
não detectaram sua presença, e dependendo da versão do
Outlook, não era preciso nem abrir o anexo para tê-lo
instalado na máquina. O foco do Bugbear.B está na obtenção
de dados sigilosos, senhas de acesso, netbanking e espionagem.
Golpes e precauções
Há várias situações que o usuário pode cair no golpe
dos ladrões virtuais, dentre elas, receber um e-mail de um
suposto funcionário da instituição que mantém o site de comércio
eletrônico ou de um banco, e ser persuadido a fornecer informações
como senhas de acesso ou número de cartões de crédito; o usuário
também pode ser persuadido a acessar um site de comércio eletrônico
ou de Internet Banking, através de um link recebido por e-mail
ou em uma página de terceiros. O link pode direcionar a pessoa
para uma página falsificada, semelhante ao site que ela deseja
acessar. A partir daí, o invasor monitora as ações do usuário,
como a digitação de sua senha bancária e o número de seu
cartão de crédito.
Apesar de existirem essas e outras situações de risco,
Claudemir Santos afirma que os internautas podem tomar alguns
cuidados ao acessarem sites de comércio eletrônico e bancos,
como realizar transações somente em sites de instituições
confiáveis; certificar-se de que o endereço apresentado
corresponde ao site que realmente quer acessar; não utilizar
links em páginas de terceiros ou recebidos por e-mail; não
acessar sites de comércio eletrônico ou Internet Banking através
de computadores de terceiros; entre outros.
Em São Paulo, o Departamento de Crimes de Alta Tecnologia da
Polícia Civil investiga os principais crimes virtuais.
"Temos muito que aprender na área de crimes digitais, no
Brasil e no mundo. Apesar de denominações como crimes digitais
ou virtuais, os delitos são considerados comuns e causam danos
reais a quem os cometem".
Site
Em outubro, o perito defenderá o tema "Criptografia
Simétrica: Padrões e Tendências", no 17º Congresso
Nacional de Criminalística, no Paraná. Com o objetivo de
discutir e divulgar as experiências criminais com profissionais
de todo Brasil, Claudemir também criou um site (www.peritocriminal.com.br)
para que profissionais de segurança pública de todo o Brasil
possam estar dividindo trabalhos de interesse comum e matérias
relacionadas à área criminal.
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