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    Impressão digital - Reveladores

Por José Lopes Zarzuela
     
SUMÁRIO
  1. Conceito
  2. Diferença entre reveladores propriamente ditos e reagentes químicos dos produtos de perspiração
  3. Tipos de impressões e de suportes
  4. Produtos de perspiração da pele
  5. Reveladores e reagentes em espécie
  6. Bibliografia
1 - CONCEITO

Reveladores sob o ponto de vista genérico são substâncias puras ou misturas capazes, física ou químicamente, de tornar visíveis impressões papilares latentes.

Em princípio, a técnica física ou química empregada para o emprego dos reveladores depende principalmente de vários fatores:

A - cor do suporte
B - natureza do suporte; e
C - idade da impressão.

2 - DIFERENÇA ENTRE REVELADORES PROPRIAMENTE DITOS E REAGENTES QUÍMICOS DOS PRODUTOS DE PERSPIRAÇÃO NAS IMPRESSÕES LATENTES

São reveladores de impressões papilares latentes todas as substâncias químicas ou meios idôneos capazes de torná-las visíveis sem que ocorra reação química entre o revelador e o(s) produto(s) de perspiração. Há neste caso um fenômeno puramente físico de aderência do revelador ao(s) produto(s) de perspiração contidos na impressão papilar latente. Entre as substâncias químicas desacam-se particularmente vários pós como o carbonato de chumbo ou cerusa, negro de marfim, negro de fumo, pó de alumínio, pó de grafite, pó de ferro, pó magnético, rodamina-B, eosina, sulfato de para-rosanilina, violeta cristal, crisoidina, fluoresceína, naftolato AS, verde malaquita, fosfina R, azul de metileno, nitrato de uranilo, etc.

Entre os meios físicos que não empregam substâncias químicas (simples, compostas ou misturas) destacam-se a luz comum oblíqua e a luz ultra-violeta (com ou sem filtros adequados).

São reagentes químicos de impressões papilares latentes, substâncias simples ou compostas que reagem com deteminados componentes dos produtos de perspiração, tornando-as assim visíveis.

Entre as substâncias químicas empregadas neste caso destacam-se as seguintes: vapores de iodo, solução de nitrato de prata a 5%, tetróxido de ósmio e ninidrina.

3 - TIPOS DE IMPRESSÕES E DE SUPORTES

Nos locais de crimes contra a vida e contra o patrimônio, as impressões papilares podem ser encontradas sob três aspectos distintos: latentes, visíveis e modeladas.

Impressões papilares latentes são as produzidas pela polpa digital, palma das mãos e planta dos pés, desde que convenientemente limpas. Esas impressões são invisíveis a olho nu, sendo geralmente localizadas através de luz oblíqua sobre determinados suportes.

Chamam-se suportes a quaisquer superfícies capazes de receber uma impressão papilar. Os melhores suportes são os metais polidos, vidro, espelho, superfícies envernizadas, algumas frutas, papel, couro liso, objetos de porcelana e louça.

4 - PRODUTOS DE PERSPIRAÇÃO DA PELE

No organismo humano há 2 a 3 milhões de glândulas sudoríparas disseminadas em toda superfície cutânea, estimando-se a existência de 94 poros por centímetros quadrados; além destas glândulas há outras em número pouco menor que enviam ao mundo exterior substâncias graxas: são as glândulas sebáceas. O conjunto de glândulas sudoríparas e sebáceas continuamente enviam para a superfície da epiderme produtos de excreção representados por uma suspensão aquosa de substâncias inorgânicas e orgânicas; os percentuais destes exsudatos é dado no seguinte quadro:



Em caráter excepcional, o organismo humano pode excretar também nitritos, em decorrência de tratamento à base de cardiovasodilatadores, sendo que os percentuais dos produtos residuais referidos no quadro acima varia em função de dietas ou de estados patológicos.

5 - REVELADORES E REAGENTES EM ESPÉCIE

As impressões latentes podem ser reveladas por meio de várias substâncias químicas puras ou misturas, destacando-se para suportes escuros os seguintes:

A - carbonato de chumbo; carbonato de cálcio
B - carbonato de chumbo e breu pulverizados, na proporção de 10:1; carbonato de magnésio
C - carbonato de chumbo e pó de alumínio, na proporção de 10:1; calomelano; óxido de magnésio
D - pó magnético; sulfato de bário, licopódio

Para suportes claros podem ser empregados os seguintes reveladores:

A - negro de fumo; óxido de cobalto; dióxido de manganês
B - negro de marfim; sulfeto de chumbo; sulfeto de mercúrio
C - negro de marfim e breu, na proporção de 10:1; negrosina, betume da Judéia
D - negro de marfim e pó de alumínio, na proporção de 10:1
E - grafite, platina metálica finamente dividida

Para suportes multicoloridos, os reveladores ideais são os pós avermelhados como o óxido vermelho de cobre (óxido de cobre II), mínio, sudão III, carmim, eosina, safranina, vermelho congo, etc.

Podem ser aplicados também pós fluorescentes, como o antraceno (branco), rodamina-B (marron), eosina (vermelho), fluoresceína (marron), etc., cuidando-se de iluminar a superfície em que foi aplicado o pó com luz ultra-violeta em câmara escura.

Particularmente em superfícies de papel, de madeira e tecido, são empregáveis várias substâncias que reagem quimicamente com determinados produtos da perspiração; assim, as gorduras reagem com os vapores de iodo e óxido de ósmio; a solução de nitrato de prata, a 5%, com o íon cloreto contido no cloreto de sódio e a ninidrina reage com os alfa-aminoácidos.

A - Reação dos vapores de iodo com as gorduras

O índice de iodo de um óleo ou gordura representa a massa de iodo, expressa em gramas, que se adicionam a 100 gramas do óleo ou gordura considerados. O índice de iodo indica o grau de insaturação do óleo ou gordura, considerando que o iodo reage com as duplas ligações; verifica-se que quanto maior o grau de insaturação, maior será proporcionalmente o índice de iodo e reciprocamente, quanto maior a quantidade de iodo adicionada, maior o número de duplas ligações.

Esta reação pode ser realizada de duas formas:

a) a frio, com emprego de um vaporizador de iodo
b) a quente, com emprego de um gabinete de iodo

a) O vaporizador de iodo pode ser construído de maneira simples, colocando-se em um tubo de vidro cloreto de cálcio anidro, em quantidade suficiente para preencher 3/4 do comprimento do mesmo, intercalado entre dois chumaços de algodão de vidro; colocam-se cristais de iodo no tubo entre dois chumaços de algodão de vidro, adaptando-se, finalmente, um tubo de borracha de uns 10 cm de comprimento na extremidade do tubo onde se dispuseram os cristais de iodo. Soprano-se o tubo de borracha, o ar quente sublima o iodo e os seus vapores são projetados pela extremidade livre do tubo de vidro, sendo reido o vapor d'agua pelo cloreto de cálcio anidro.

Dessa forma são passíveis de revelação impressões papilares latentes em superfície de papel, inclusive de parede, em locais de infrações contra a vida e contra o patrimônio, cartas anônimas ou ameaçadoras, etc

b)O gabinete de iodo é uma câmara fechada com paredes de vidro ou pelo menos uma de vidro e uma abertura na base onde se coloca uma cápsula de porcelanaa com areia e cristais de iodo; a superfície de papel ou similar é presa no inteior da câmara de modo que quando se aquece a cápsula, o iodo sublime e, na forma de vapor, atinge uniformemente a superfície examinada reagindo com as gorduras dos produtos de perspiração, tornando assim visíveis as impressões papilares latentes.

Pode-se obter melhor controle do processo fazendo o iodo sublimar à temperatura ambiente, exigindo-se neste caso maior espaço de tempo; quando a temperatura ambiental é relativamente baixa, deve-se deixar o papel examinado na presença de cristais de iodo durante 12 a 24 horas. Chama-se este processo de revelação a frio

O incoveniente da revelação de impressões papilares com vapores de iodo é que elas são transitórias, razão pela qual devem ser emprear-se fixadores de iodo. Os processo de fixação do iodo são os seguintes:

I - método iodo-prata. Depois de revelada a impressão latente com vapor de iodo, pressiona-se contra uma folha fina de prata de superfície lisa, durante 10 a 15 segundos; expõe-se a seguir esta folha à ação da luz, natural ou artificial, até que haja redução da prata iônica a prata metálica; por esta técnica podem ser realizadas várias transferências de uma mesma impressão, podendo ser aplicado em papel de embrulho, espelho, objetos gordurosos e superfícies de tecido de seda.

II - método de Wagenaar. Misturam-se 20 gramas de amido a 20 mililitros de água a fim de formar uma pasta; misturam-se então 0,3 gramas de timol e 2 gramas de iodeto de potássio. Espalha-se esta pasta sobre uma folha de papel e antes que fique totalmente seca deve ser pressionada contra a impressão revelado com iodo, sendo ela transferida para o papel adrede preparado; esta impressão obtida é a imagem especular da impressão real.

III - método das placas de vidro. Coloca-se a superfície de papel entre duas placas de vidro lacrando-as com fita transpaarente; pode-se substituir as placas de vidro por acrílico.

Observação: os vapores de iodo podem ser eficientemente utilizados para revelar impressões que possuem idade de um a sete dias; geralmente esta técnica se mostra inoperante com impressões papilares latentes mais antigas.

B - Reação da solução de tetróxido de ósmio com as gorduras

O tetróxido de ósmio em loulução a 1% ou no estado de vapor pode ser empregado para revelar a gordura contida nas impressões papilares latentes. A técnica é totalmente análoga à do iodo, podendo ser aplicada atravésde um vaporizador ou de um gabinete, utilizando-se no primeiro caso tetróxido de ósmio sólido, produto volátil e muito tóxico, e no último solução desse óxido a 1% aquecida com uma fonte térmica, permanecendo o papel examinado durante 60 a 90 minutos.

Em presença de gordura, o tetróxido de ósmio se reduz a ósmio metálico que no estado de grande subdivisão é negro e, ao contrário do iodo que se reduz do estado elementar para o estado iônico, o osmio é oxidado do estado iônico para o estado elementar. Todavia, a técnica além de ser perigosa, pela elevada toxicidade do tetróxido de ósmio, é menos sensível que a do iodo em impressões mais antigas.

C - Reação da solução de nitrato de prata com os cloretos solúveis

A solução de nitrato de prata a 5% é excelente como revelador de impressões papiolares latentes em superfícies de papel ou similar; tais superfícies são imersas em cubas contedo solução de nitrato de prata durante 15 a 30 segundos; nestas condições há reação do íon cloreto, do produto de perspiração com o íon prata, originando-se um precipitado branco de cloreto de prata, conforme a reação:

AgNO3 + NaCl Ý AgCl + NaNO3

 

Colocam-se então as superfícies de papel para secar penduradas em câmara escura; depois de secos são postos à luz solar o tempo necessário para que o cloreto de prata se decomponha e a prata libertada apareça como contorno escuro das linhas papilares. A reação química que ocorre é a seguinte:

2AgCl Ý 2Ag + Cl2

 

A impressão deve ser então fotografada antes que o papel escureça totalmente. Depois de fotografada, a impressão papilar pode ser preservada desde que permaneça na ausência da luz, ou desde que fixada com solução de tiossulfato de sódio à semelhança do que ocorre com o processo fotográfico: a luz deposita prata livre e a solução de tiossulfato reage com o cloreto de prata não afetado. Outra alternativa para a revelação das impressões latentes por esta técnica, em lugar de expor o papel seco à ação da luz, a impressão pode ser revelada, lavando-se preliminarmente o papel ou superfície similar examinada com água destilada imergindo-o a seguir m solução contendo uma parte de formol a 35% e 10 partes de hidróxido de sódio a 2%; este banho reduz o cloreto de prata e prata metálica.

D - Reação da ninidrina com alfa-aminoácidos

De todos os processos químicos preconizados para a revelação de impressões papilares latentes em papel ou superfícies similares, sem dúvida o baseado no emprego da ninidrina é o mais moderno e o de maior interesse criminalístico, tendo em vista os seguintes aspectos:

a) não altera o suporte
b) permite revelar impressões papilares cuja idade não é possível por outros processos físicos ou químicos
c) mantem a impressão revelada no suporte por longo tempo, maior do que qualquer outro reagente similar

 

As consideraçãoes de maior relevo sobre o emprego da ninidrina na revelação de impressões papilares em papel e superfícies similares, podem ser resumidas nos seguintes tópicos:

a) a ninidrina é um excepcional reagente dos alfa-aminoácidos, largamente empregado na cromatografia de calmada delgada; oxida os alfa-aminoácidos a aldeídos, amoníaco e gás carbônico; a ninidrina reduzida reage com o amoníaco e com o excedente de ninidrina não transformada, originado um composto de coloração púrpura;

b) para bons resultado, as impressões papilares não devem ter mais de duas semanas; as impressões recentes são reveláveis de maneira extraordinária. Todavia, segundo o Dr. Svante Oden, o emprego da ninidrina pôde ser feito em impressões papilares com 12 anos de idade; o F.B.I. refere-se ao emprego dessa substância na revelação de impressões papilares com 5 ou mais anos;

c) depois de reveladas, as impressões permanecem fixadas durante cerca de um ano; a partir desse tempo começam a desaparecer;

d) a técnica do emprego da ninidrina é muito simples consistindo em expor a superfície tratada na temperatura ambiente, ao ar livre, durante 24 a 36 horas (processo lento) ou submetendo o suporte à temperatura de 100 a 150 graus centígrados durante 2 a 3 minutos, em estufa (processo rápido). Finalmente, submetendo o suporte à ação do vapor d'agua; as impressões papilares apresentam-se com coloração púrpura, imediatamete ou em alguns casos, só após um lapso de algumas semanas;

e) a reação química da ninidrina com os alfa-aminoácidos é muito sensível, sendo capaz de detectar até um micrograma dessas substâncias; além disso, a reação é específica, podendo ser também empregada no reconhecimento de proteínas. A reação química que ocorre entre a ninidrina e os alfaaminoácidos é a seguinte:





BIBLIOGRAFIA

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  • Canarro, F.L. - Dicionário de Química - Porto Alegre - 1970 - Editora Globo S.A.
  • Curso nº 34 do F.B.I. sobre impressões digitais - 2ª parte: Impressões Digitais Latentes
  • Gómez, L.L. - Técnica Médico-Legal - Legal Criminalística - Valência (España) - 1953 - Editora Saber

 
 
 

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