SUMÁRIO
- Conceito
- Diferença entre reveladores propriamente ditos e reagentes químicos
dos produtos de perspiração
- Tipos de impressões e de suportes
- Produtos de perspiração da pele
- Reveladores e reagentes em espécie
- Bibliografia
1 - CONCEITO
Reveladores sob o ponto de vista genérico são substâncias puras ou
misturas capazes, física ou químicamente, de tornar visíveis impressões
papilares latentes.
Em princípio, a técnica física ou química empregada para o emprego
dos reveladores depende principalmente de vários fatores:
A - cor do suporte
B - natureza do suporte; e
C - idade da impressão.
2 - DIFERENÇA ENTRE REVELADORES PROPRIAMENTE DITOS E REAGENTES QUÍMICOS
DOS PRODUTOS DE PERSPIRAÇÃO NAS IMPRESSÕES LATENTES
São reveladores de impressões papilares latentes todas as substâncias
químicas ou meios idôneos capazes de torná-las visíveis sem que ocorra
reação química entre o revelador e o(s) produto(s) de perspiração. Há
neste caso um fenômeno puramente físico de aderência do revelador ao(s)
produto(s) de perspiração contidos na impressão papilar latente. Entre as
substâncias químicas desacam-se particularmente vários pós como o
carbonato de chumbo ou cerusa, negro de marfim, negro de fumo, pó de alumínio,
pó de grafite, pó de ferro, pó magnético, rodamina-B, eosina, sulfato de
para-rosanilina, violeta cristal, crisoidina, fluoresceína, naftolato AS,
verde malaquita, fosfina R, azul de metileno, nitrato de uranilo, etc.
Entre os meios físicos que não empregam substâncias químicas
(simples, compostas ou misturas) destacam-se a luz comum oblíqua e a luz
ultra-violeta (com ou sem filtros adequados).
São reagentes químicos de impressões papilares latentes, substâncias
simples ou compostas que reagem com deteminados componentes dos produtos de
perspiração, tornando-as assim visíveis.
Entre as substâncias químicas empregadas neste caso destacam-se as
seguintes: vapores de iodo, solução de nitrato de prata a 5%, tetróxido
de ósmio e ninidrina.
3 - TIPOS DE IMPRESSÕES E DE SUPORTES
Nos locais de crimes contra a vida e contra o patrimônio, as impressões
papilares podem ser encontradas sob três aspectos distintos: latentes, visíveis
e modeladas.
Impressões papilares latentes são as produzidas pela polpa digital,
palma das mãos e planta dos pés, desde que convenientemente limpas. Esas
impressões são invisíveis a olho nu, sendo geralmente localizadas através
de luz oblíqua sobre determinados suportes.
Chamam-se suportes a quaisquer superfícies capazes de receber uma
impressão papilar. Os melhores suportes são os metais polidos, vidro,
espelho, superfícies envernizadas, algumas frutas, papel, couro liso,
objetos de porcelana e louça.
4 - PRODUTOS DE PERSPIRAÇÃO DA PELE
No organismo humano há 2 a 3 milhões de glândulas sudoríparas
disseminadas em toda superfície cutânea, estimando-se a existência de 94
poros por centímetros quadrados; além destas glândulas há outras em número
pouco menor que enviam ao mundo exterior substâncias graxas: são as glândulas
sebáceas. O conjunto de glândulas sudoríparas e sebáceas continuamente
enviam para a superfície da epiderme produtos de excreção representados
por uma suspensão aquosa de substâncias inorgânicas e orgânicas; os
percentuais destes exsudatos é dado no seguinte quadro:

Em caráter excepcional, o organismo humano pode excretar também nitritos,
em decorrência de tratamento à base de cardiovasodilatadores, sendo que os
percentuais dos produtos residuais referidos no quadro acima varia em função
de dietas ou de estados patológicos.
5 - REVELADORES E REAGENTES EM ESPÉCIE
As impressões latentes podem ser reveladas por meio de várias substâncias
químicas puras ou misturas, destacando-se para suportes escuros os
seguintes:
A - carbonato de chumbo; carbonato de cálcio
B - carbonato de chumbo e breu pulverizados, na proporção de 10:1;
carbonato de magnésio
C - carbonato de chumbo e pó de alumínio, na proporção de 10:1;
calomelano; óxido de magnésio
D - pó magnético; sulfato de bário, licopódio
Para suportes claros podem ser empregados os seguintes reveladores:
A - negro de fumo; óxido de cobalto; dióxido de manganês
B - negro de marfim; sulfeto de chumbo; sulfeto de mercúrio
C - negro de marfim e breu, na proporção de 10:1; negrosina, betume da Judéia
D - negro de marfim e pó de alumínio, na proporção de 10:1
E - grafite, platina metálica finamente dividida
Para suportes multicoloridos, os reveladores ideais são os pós
avermelhados como o óxido vermelho de cobre (óxido de cobre II), mínio,
sudão III, carmim, eosina, safranina, vermelho congo, etc.
Podem ser aplicados também pós fluorescentes, como o antraceno
(branco), rodamina-B (marron), eosina (vermelho), fluoresceína (marron),
etc., cuidando-se de iluminar a superfície em que foi aplicado o pó com
luz ultra-violeta em câmara escura.
Particularmente em superfícies de papel, de madeira e tecido, são
empregáveis várias substâncias que reagem quimicamente com determinados
produtos da perspiração; assim, as gorduras reagem com os vapores de iodo
e óxido de ósmio; a solução de nitrato de prata, a 5%, com o íon
cloreto contido no cloreto de sódio e a ninidrina reage com os alfa-aminoácidos.
A - Reação dos vapores de iodo com as gorduras
O índice de iodo de um óleo ou gordura representa a massa de iodo,
expressa em gramas, que se adicionam a 100 gramas do óleo ou gordura
considerados. O índice de iodo indica o grau de insaturação do óleo ou
gordura, considerando que o iodo reage com as duplas ligações; verifica-se
que quanto maior o grau de insaturação, maior será proporcionalmente o índice
de iodo e reciprocamente, quanto maior a quantidade de iodo adicionada,
maior o número de duplas ligações.
Esta reação pode ser realizada de duas formas:
a) a frio, com emprego de um vaporizador de iodo
b) a quente, com emprego de um gabinete de iodo
a) O vaporizador de iodo pode ser construído de maneira simples,
colocando-se em um tubo de vidro cloreto de cálcio anidro, em quantidade
suficiente para preencher 3/4 do comprimento do mesmo, intercalado entre
dois chumaços de algodão de vidro; colocam-se cristais de iodo no tubo
entre dois chumaços de algodão de vidro, adaptando-se, finalmente, um tubo
de borracha de uns 10 cm de comprimento na extremidade do tubo onde se
dispuseram os cristais de iodo. Soprano-se o tubo de borracha, o ar quente
sublima o iodo e os seus vapores são projetados pela extremidade livre do
tubo de vidro, sendo reido o vapor d'agua pelo cloreto de cálcio anidro.
Dessa forma são passíveis de revelação impressões papilares latentes
em superfície de papel, inclusive de parede, em locais de infrações
contra a vida e contra o patrimônio, cartas anônimas ou ameaçadoras, etc
b)O gabinete de iodo é uma câmara fechada com paredes de vidro ou pelo
menos uma de vidro e uma abertura na base onde se coloca uma cápsula de
porcelanaa com areia e cristais de iodo; a superfície de papel ou similar
é presa no inteior da câmara de modo que quando se aquece a cápsula, o
iodo sublime e, na forma de vapor, atinge uniformemente a superfície
examinada reagindo com as gorduras dos produtos de perspiração, tornando
assim visíveis as impressões papilares latentes.
Pode-se obter melhor controle do processo fazendo o iodo sublimar à
temperatura ambiente, exigindo-se neste caso maior espaço de tempo; quando
a temperatura ambiental é relativamente baixa, deve-se deixar o papel
examinado na presença de cristais de iodo durante 12 a 24 horas. Chama-se
este processo de revelação a frio
O incoveniente da revelação de impressões papilares com vapores de
iodo é que elas são transitórias, razão pela qual devem ser emprear-se
fixadores de iodo. Os processo de fixação do iodo são os seguintes:
I - método iodo-prata. Depois de revelada a impressão latente
com vapor de iodo, pressiona-se contra uma folha fina de prata de superfície
lisa, durante 10 a 15 segundos; expõe-se a seguir esta folha à ação da
luz, natural ou artificial, até que haja redução da prata iônica a prata
metálica; por esta técnica podem ser realizadas várias transferências de
uma mesma impressão, podendo ser aplicado em papel de embrulho, espelho,
objetos gordurosos e superfícies de tecido de seda.
II - método de Wagenaar. Misturam-se 20 gramas de amido a 20
mililitros de água a fim de formar uma pasta; misturam-se então 0,3 gramas
de timol e 2 gramas de iodeto de potássio. Espalha-se esta pasta sobre uma
folha de papel e antes que fique totalmente seca deve ser pressionada contra
a impressão revelado com iodo, sendo ela transferida para o papel adrede
preparado; esta impressão obtida é a imagem especular da impressão real.
III - método das placas de vidro. Coloca-se a superfície de
papel entre duas placas de vidro lacrando-as com fita transpaarente; pode-se
substituir as placas de vidro por acrílico.
Observação: os vapores de iodo podem ser eficientemente utilizados para
revelar impressões que possuem idade de um a sete dias; geralmente esta técnica
se mostra inoperante com impressões papilares latentes mais antigas.
B - Reação da solução de tetróxido de ósmio com as gorduras
O tetróxido de ósmio em loulução a 1% ou no estado de vapor pode ser
empregado para revelar a gordura contida nas impressões papilares latentes.
A técnica é totalmente análoga à do iodo, podendo ser aplicada atravésde
um vaporizador ou de um gabinete, utilizando-se no primeiro caso tetróxido
de ósmio sólido, produto volátil e muito tóxico, e no último solução
desse óxido a 1% aquecida com uma fonte térmica, permanecendo o papel
examinado durante 60 a 90 minutos.
Em presença de gordura, o tetróxido de ósmio se reduz a ósmio metálico
que no estado de grande subdivisão é negro e, ao contrário do iodo que se
reduz do estado elementar para o estado iônico, o osmio é oxidado do
estado iônico para o estado elementar. Todavia, a técnica além de ser
perigosa, pela elevada toxicidade do tetróxido de ósmio, é menos sensível
que a do iodo em impressões mais antigas.
C - Reação da solução de nitrato de prata com os cloretos solúveis
A solução de nitrato de prata a 5% é excelente como revelador de
impressões papiolares latentes em superfícies de papel ou similar; tais
superfícies são imersas em cubas contedo solução de nitrato de prata
durante 15 a 30 segundos; nestas condições há reação do íon cloreto,
do produto de perspiração com o íon prata, originando-se um precipitado
branco de cloreto de prata, conforme a reação:
AgNO3 + NaCl Ý AgCl + NaNO3
Colocam-se então as superfícies de papel para secar penduradas em câmara
escura; depois de secos são postos à luz solar o tempo necessário para
que o cloreto de prata se decomponha e a prata libertada apareça como
contorno escuro das linhas papilares. A reação química que ocorre é a
seguinte:
2AgCl Ý 2Ag + Cl2
A impressão deve ser então fotografada antes que o papel escureça
totalmente. Depois de fotografada, a impressão papilar pode ser preservada
desde que permaneça na ausência da luz, ou desde que fixada com solução
de tiossulfato de sódio à semelhança do que ocorre com o processo fotográfico:
a luz deposita prata livre e a solução de tiossulfato reage com o cloreto
de prata não afetado. Outra alternativa para a revelação das impressões
latentes por esta técnica, em lugar de expor o papel seco à ação da luz,
a impressão pode ser revelada, lavando-se preliminarmente o papel ou superfície
similar examinada com água destilada imergindo-o a seguir m solução
contendo uma parte de formol a 35% e 10 partes de hidróxido de sódio a 2%;
este banho reduz o cloreto de prata e prata metálica.
D - Reação da ninidrina com alfa-aminoácidos
De todos os processos químicos preconizados para a revelação de
impressões papilares latentes em papel ou superfícies similares, sem dúvida
o baseado no emprego da ninidrina é o mais moderno e o de maior interesse
criminalístico, tendo em vista os seguintes aspectos:
a) não altera o suporte
b) permite revelar impressões papilares cuja idade não é possível por
outros processos físicos ou químicos
c) mantem a impressão revelada no suporte por longo tempo, maior do que
qualquer outro reagente similar
As consideraçãoes de maior relevo sobre o emprego da ninidrina na
revelação de impressões papilares em papel e superfícies similares,
podem ser resumidas nos seguintes tópicos:
a) a ninidrina é um excepcional reagente dos alfa-aminoácidos,
largamente empregado na cromatografia de calmada delgada; oxida os
alfa-aminoácidos a aldeídos, amoníaco e gás carbônico; a ninidrina
reduzida reage com o amoníaco e com o excedente de ninidrina não
transformada, originado um composto de coloração púrpura;
b) para bons resultado, as impressões papilares não devem ter mais de
duas semanas; as impressões recentes são reveláveis de maneira extraordinária.
Todavia, segundo o Dr. Svante Oden, o emprego da ninidrina pôde ser feito
em impressões papilares com 12 anos de idade; o F.B.I. refere-se ao emprego
dessa substância na revelação de impressões papilares com 5 ou mais
anos;
c) depois de reveladas, as impressões permanecem fixadas durante cerca
de um ano; a partir desse tempo começam a desaparecer;
d) a técnica do emprego da ninidrina é muito simples consistindo em
expor a superfície tratada na temperatura ambiente, ao ar livre, durante 24
a 36 horas (processo lento) ou submetendo o suporte à temperatura de 100 a
150 graus centígrados durante 2 a 3 minutos, em estufa (processo rápido).
Finalmente, submetendo o suporte à ação do vapor d'agua; as impressões
papilares apresentam-se com coloração púrpura, imediatamete ou em alguns
casos, só após um lapso de algumas semanas;
e) a reação química da ninidrina com os alfa-aminoácidos é muito
sensível, sendo capaz de detectar até um micrograma dessas substâncias;
além disso, a reação é específica, podendo ser também empregada no
reconhecimento de proteínas. A reação química que ocorre entre a
ninidrina e os alfaaminoácidos é a seguinte:
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Editora Globo S.A.
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- Gómez, L.L. - Técnica Médico-Legal - Legal Criminalística - Valência
(España) - 1953 - Editora Saber