Ela é uma verdadeira praga social contemporânea.
O nome dela é merla. Droga altamente perigosa, subproduto da cocaína, a
merla vem trazendo inúmeras tragédias e mortes às famílias brasileiras.
A merla é obtida da mistura da pasta de coca com vários agentes químicos,
incluindo ácido sulfúrico, querosene, cal virgem e até mesmo solução de
bateria de automóveis. Um quilograma de cocaína, misturado a essas substâncias
não menos tóxicas, produz até três quilos de merla. Apresentada sob a
forma de pasta, ela é fumada pura ou no cigarro, sendo assimilada nos pulmões,
órgão de onde vai para o sistema nervoso central através da circulação
sangüínea.
Mas existe outra merla (com "eme" maiúsculo, dos desenhos
infantis da "World Events Productions" norte-americana...). Ela é
uma rainha de super-poderes, aliada do robô Zarkon do
desenho animado virtual Voltron. Nessa peça ficcional, Merla é uma
personagem virtual que tem algo em comum com a merla real, droga ilícita, já
que ambas fazem as pessoas agirem do
jeito que querem, virando suas escravas...
A escravidão do vício da merla produz alucinações, depressão e sensação
de medo. Ela também é chamada de "nóia", gíria derivada da
palavra paranóia, numa alusão ao fato de que sob seus efeitos os usuários
entram num estado maníaco de perseguição. As comunidades brasileiras estão
fartas disso e já não toleram mais ver seus jovens transformados em zumbis
da merla e de outras drogas.
Tempos atrás, em Brasília, a comunidade, ela própria, corajosa e
responsavelmente informou os órgãos de segurança pública importantes
detalhes sobre o uso e tráfico de merla em diferentes locais do Distrito
Federal. Ligações telefônicas recebidas pelo disque-denúncia, (061)
323-8855, fizeram com que pudesse ser desencadeado todo um mega trabalho de
investigação, atividade técnica altamente especializada e persistente que
envolveu dezenas de policiais
por mais de seis meses.
Vale enfatizar que a identidade dos que fazem uso do "disque-denúncia"
está, e sempre estará, completamente preservada. Não é necessário
sequer dar o nome ao fazer a ligação
telefônica.
Todo processo de apuração policial do tráfico de merla em Brasília foi
cuidadosamente compartimentado (cada um sabendo apenas o necessário para
fazer sua parte...), no melhor
estilo das grandes investigações policiais do mundo. Isso foi primordial
para que não "vazassem" informações durante o longo trabalho
realizado, detalhado e paciente, altamente bem
sucedido ao final.
Em Brasília, a delegacia especializada da Polícia Civil do Distrito
Federal deu provas de grande integridade e competência, ingredientes
essenciais ao êxito policial na repressão ao tráfico. Resultado, 18
traficantes fora de circulação nos próximos 10 ou 20 anos. Alguns outros
desses delinqüentes covardes e irresponsáveis tiveram sua prisão temporária
decretada pelo Poder Judiciário. A operação policial desarticulou,
simultaneamente, mais da metade da
capacidade local de distribuição de merla.
É importante que a comunidade, particularmente as famílias de crianças e
adolescentes, esteja atenta aos sinais do uso de merla: extremidades dos
dedos amareladas (a merla é fumada),
lacrimejamento, olhos avermelhados, comportamento irritadiço, respiração
difícil, mãos trêmulas e inquietação. O uso dessa droga é bastante difícil
de dissimular, já que os produtos químicos a ela adicionados durante o
preparo exalam do corpo do usuário pela transpiração.
A mensagem que fica é a de que os traficantes a cada dia vão ficando cada
vez mais sem espaço para exercer seu ofício maldito. A comunidade, em
interação com os órgãos policiais,
vem dando um basta à destruição de seus jovens, conseqüência do uso das
drogas criminosamente traficadas pelos mercadores da morte. Traficante bom
é traficante preso!
Dr. George Felipe de Lima Dantas